domingo, 31 de janeiro de 2010

Me Despedindo A Longo Prazo

É engraçado ver o quanto ele se tornou importante pra mim e o quanto eu morro de tristeza toda vez que penso em vê-lo partir. Fico quietinha sabe, não deixo ele captar a minha dor, mesmo que quase toda hora eu tenha o impulso de pular em seu pescoço e gritar "não me deixa não, fica comigo, cuida de mim".
Hoje faz uma semana, exatamente que ele me contou que iria embora... e me contou tão rápido, tão inesperadamente que eu precisei me levantar da mesa pra não desabar alí mesmo.
Aquela volta no quarteirão foi estranha... eu não sentia mais a segurança de sempre, como quando estávamos juntos andando pelas mesmas ruas.
Ando me segurando ao máximo, contendo tudo o que posso e mentalizando a todo momento, que "isso é necessário, que vai ser bom, que estou feliz por essa oportunidade e que o crescimento profissional  dele vai ser intenso"... repito tanto isso, que quase se tornou um mantra!
Ele não me viu chorar nenhuma vez desde o dia da notícia e se depender de mim, não verá.
Não quero ninguém sentindo pena de mim, nem medo de me deixar sozinha... quero ele forte, seguro de suas perspectivas!
Mas hoje, agora pouco, lembrei do que estaria fazendo se ele estivesse comigo hoje... provavelmente a rua, uma lanchonete, sorveteria, algum filme, sanduíches, sucrilhos com coca cola () ou qualquer outra coisa, antes comum e agora rara.
Percebi que não tenho com quem conversar, não tenho quem me ouça, não tenho mais um colo, nem um abraço... não tenho a única coisa que me fazia achar que eu tinha o mundo.
Com o trabalho excessivo de ambos no carnaval, ficamos cada vez mais distantes, menos ''gêmeos''... estamos voltando ao anonimato de um para o outro.
Eu vejo nos olhos dele que apesar da nossa amizade e do nosso amor serem a coisa mais linda do mundo, isso está ficando cada vez mais fantasioso.
E me espanto a cada dia que passa e eu não vejo aquele homem grandão na porta do meu quarto, me dando um beijo estralado na bochecha... me espanto comigo mesma por ter acreditado que as coisas são eternas.
Distâncias não matam amizades... mas fazem elas significarem menos.
Ele vai conhecer outras pessoas, vai partilhar de outras vidas, vai ter experiências... e eu vou me tornar mais uma lembrança.
Sim... parece mesmo ser verdade que os hábitos não são necessidades.
Acredito que nunca estive tão sozinha como agora... mas penso "positivamente" que isso vai ficar mais fácil de suportar... até porque, ao que tudo indica, essa será a minha nova rotina.
Obrigado.

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